CAPÍTULO PRIMEIRO
OBJETIVO e o MEU PERFIL |
Uma apresentação
sincera e leal das experiências vividas, aprendidas, das tentativas, dos
erros e dos acertos, alguns repetiria e outros atos e cenas varri do meu
subconsciente pelas dores produzidas pela decepção, traição, mentiras e
outras formas de vilipêndio e conflitos dos relacionamentos humanos.
Viver nesse
mundo exige perseverança, além da ousadia que é a mãe da coragem.
Li no
Blog
Gropius, parabenizo o editor, convido a conhecer as reflexões
de alto valor reproduzo parte do texto para refletirmos juntos:
"O problema não é ir rápido demais para o futuro. O
problema é afastar-se rápido demais do passado sem dar
mostras de que aprendemos algo com ele — simplesmente porque
não aprendemos.
Viver à pressa é isto: não assimilar o que seus pais e avós
ensinaram. O que os impressionava não nos impressiona. Você
não precisa gostar de Carlos Gardel ou usar Gumex.
Não é uma questão de gosto, mas de desgosto. Como crescemos
acostumados à ruindade, deixamos de reconhecer coisas
elementares como indecência, imoralidade e até mesmo o
crime.
Fala-se em vulgarização da ruindade. E é isso mesmo.
Talvez seus pais e seus avós não tenham sido pessoas
excelentes, modelos difíceis de superar mas fáceis de
admirar.
Acontece. Mesmo que o seu passado pessoal e restrito tenha
sido detestável, estender o olhar para além da esfera
familiar pode demonstrar a importância do que tento dizer
aqui." |
PARA ME ENTENDER MELHOR
CONHEÇA O MEU PERFIL
A RELAÇÃO NÃO ESTÁ
ESTABELECIDA POR CRITÉRIO DE OPÇÕES
|
AMO |
1 |
|
A DEUS E A
SUA PALAVRA E O DOM DA VIDA |
6 |
|
O
CONHECIMENTO E A INFORMAÇÃO |
|
2 |
|
A MINHA
FAMÍLIA E O MEU TRABALHO |
7 |
|
CRIANÇAS ATÉ AOS 100 ANOS |
|
3 |
|
OS AMIGOS SINCEROS
|
8 |
|
|
|
4 |
|
LER +
ESTUDAR + ENSINAR
|
9 |
|
|
|
5 |
|
a |
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
GOSTO
|
1 |
|
COMER
BIFE+BATATA+ARROZ+FEIJÃO+OVOS |
6 |
|
A TECNOLOGIA
EM TODA A SUA DIMENSÃO |
|
2 |
|
COMER PEIXE -
CAMARÃO - |
7 |
|
|
|
3 |
|
CRIAR E
DESENVOLVER PROJETOS |
8 |
|
|
|
4 |
|
DE TUDO QUE
TENHA QUALIDADE E CONFORTO |
9 |
|
|
|
5 |
|
PESSOAS
INTELIGENTES |
|
|
|
|
|
|
|
10 |
|
|
HOBBY |
1 |
|
VIAJAR PARA
LUGARES DESCONHECIDOS |
6 |
|
DORMIR TARDE
E ACORDAR CEDO |
|
2 |
|
VIAJAR PARA
LUGARES CONHECIDOS |
7 |
|
|
|
3 |
|
LIVRO -
MÚSICA - CANETA -RELÓGIOS - VALISES - |
8 |
|
|
|
4 |
|
FOTOGRAFIA |
9 |
|
|
|
5 |
|
COMPUTADOR
COM PRODUTOS DA MICROSOFT |
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
TOLERO |
1 |
|
PESSOAS
INCAPAZES COM VONTADE EM APRENDER |
6 |
|
|
|
2 |
|
A
IMPONTUALIDADE |
7 |
|
|
|
3 |
|
CAMPANHA
POLÍTICA NO PERÍODO DAS ELEIÇÕES |
8 |
|
|
|
4 |
|
|
9 |
|
|
|
5 |
|
|
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
NÃO GOSTO |
1 |
|
FUMAÇA DE
CIGARRO |
6 |
|
VENDEDORES
QUE NÃO CONHECEM O PRODUTO QUE VENDEM |
|
2 |
|
PAPO-FURADO |
7 |
|
FILA EM
QUALQUER LUGAR |
|
3 |
|
PROMESSA NÃO
CUMPRIDA |
8 |
|
COMIDA FRIA |
|
4 |
|
REUNIÕES SEM
PAUTA |
9 |
|
|
|
5 |
|
DECIDIR SOB
PRESSÃO |
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
DETESTO |
1 |
|
EXCESSO DE
BARULHO |
6 |
|
PESSOAS
EXPLORADORAS E OPORTUNISTAS |
|
2 |
|
PESSOAS
MENTIROSAS |
7 |
|
PESSOAS SEM
HIGIENE |
|
3 |
|
PESSOAS
PREGUIÇOSAS |
8 |
|
BÊBADO DE
FESTA |
|
4 |
|
POBRE METIDO
A BESTA |
9 |
|
INCOMPETÊNCIA |
|
5 |
|
PESSOAS
ORGULHOSAS /ALTIVAS |
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
PRECISO |
1 |
|
SER MAIS
TOLERANTE |
6 |
|
ESTUDAR MAIS
PORTUGUÊS E INGLÊS |
|
2 |
|
SER MAIS
CALMO |
7 |
|
NÃO CONFIAR
TANTO NAS PESSOAS |
|
3 |
|
FAZER MAIS
EXERCÍCIOS FÍSICOS |
8 |
|
|
|
4 |
|
OUVIR MAIS DO
QUE FALAR |
9 |
|
|
|
5 |
|
APRENDER A
DIZER NÃO |
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
SONHOS A
REALIZAR
|
1 |
|
CONHECER O
HAWAI |
6 |
|
|
|
2 |
|
OUVIR A
Orquestra Filarmônica de Viena -
NA ÁUSTRIA |
7 |
|
|
|
3 |
|
COMER PIZZA
EM NÁPOLES - ITÁLIA |
8 |
|
|
|
4 |
|
|
9 |
|
|
|
5 |
|
|
10 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
LISTA DE
PROBABILIDADES |
1 |
|
MORAR NO
LITORAL NA APOSENTADORIA FINAL |
6 |
|
|
|
2 |
|
COMPRAR UM
JEEP WILLYS |
7 |
|
|
|
3 |
|
|
8 |
|
|
|
4 |
|
|
9 |
|
|
|
5 |
|
|
10 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
ADMIRO AS PESSOAS
QUE... |
1 |
|
VENCEM
PELA HONESTIDADE |
6 |
|
|
|
2 |
|
PERDOADORAS |
7 |
|
|
|
3 |
|
SABEM
ENVELHECER |
8 |
|
|
|
4 |
|
SABEM
DESENHAR |
9 |
|
|
|
5 |
|
ENTENDEM DE
MATEMÁTICA |
10 |
|
|
|
|
|
SABEM
NEGOCIAR |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|

JEEP WILLYS
CAPÍTULO SEGUNDO
MINHA INFÂNCIA |

Sou o
primogênito de uma família simples composta pelos meus
pais Adhemar e
Glacy e dos irmãos Roberto e Roselaine. |
|
Meu pai
já é falecido e minha mãe comemorou 80 anos de vida.
Nasci aos dez dias de setembro de 1949, sábado, às 20:30 horas, na
Rua Senador Alencar Guimarães, no centro de
Curitiba, no local atualmente funciona o Slaviero Palace Hotel .
A
parteira que atendeu o meu nascimento foi Dona Antonia e o Dr. Hamilton
Luiz de Azevedo,
conceituado clinico geral em Curitiba, grande amigo e médico de toda a
minha família. Atendeu o nascimento dos meus dois filhos Fabiano Jorge e
Elton Jorge.
|
O meu nome Jorge foi dado por ocasião do meu nascimento.
Contam as minhas bisavó e avó maternas que minha mãe muito
jovem teve dificuldades físicas no parto que já durava horas
de sofrimento e contrações. O risco de morte para a mãe
filho era real e iminente caso o nascimento demorasse mais
alguns minutos. Nesse instante, a minha gritou entre as
dores do parto: "Valha-me São Jorge...!"
Naquele momento contam as pessoas que assistiam que os
vidros de uma das janelas do quarto quebraram-se com grande
estrondo e imediatamente vim ao mundo.
|
Fui
privilegiado com o título de primogênito, primeiro neto, bisneto,
sobrinho... e sempre carreguei também o ônus dessa posição familiar.
Servi de exemplo para os mais novos da família. Uma
enorme e cansativa responsabilidade.
Não temos o direito de errar.
Nossa
família sempre foi muito simples, porém vestir-se e alimentar-se muito
bem sempre foram hábitos em todas as gerações. Assim, fomos criados
dentro da filosofia: " Simples, mas vistoso." (Fotos
de 1953)
O
óculos Ray-ban que estou usando era de propriedade da minha prima
Louricéia, a roupa era da grife Joclena, loja famosa de moda infantil de
Curitiba antigamente.
Nesse período passamos a
morar na Rua André de Barros na pensão da minha avó materna Maria da
Conceição Tréguas. Lembro-me que era um grande casarão alugado da
família do Dr. João Cândido. No local hoje existe um edifício com o
mesmo nome.
Em 1954 mudamos para a Rua
Desembargador Westphalen, numa propriedade da família Strobel. Ali
residiu a minha bisavó Ida Tréguas por mais cinqüenta anos.
Havia ali um ateliê
de costura, minhas tias Eunice e Zizi auxiliavam a modista Victória que
era a minha madrinha e minha tia-avó. Na época era muito chic mandar
fazer vestidos e costuras com modistas, garantia de exclusividade do
modelo e símbolo de elegância.
Havia um grande
quintal e a bisavó Ida criava muitos gatos.
Meu pai sempre
gostou de plantar e cuidar de hortas. Aproveitou o espaço e plantou uma
grande horta.
Também não me deixou
de fora daquela tarefa!
Lá estava eu, agora como agricultor.
Como sempre fui muito curioso e gostava sempre de
aprender novas técnicas, ganhei as ferramentas básicas, enxada, pá e um
rastelo, um carrinho de mão, um regador e uma bota de borracha.
Graças a
combinação, uma tábua molhada mais uma bota de borracha escorreguei e
bati a testa numa outra tábua que me valeu uma cicatriz na testa até os
dias de hoje.
O "modelo" de macacão que estou vestindo acompanhado
da bota de borracha era o uniforme de trabalho na horta.

Quando encontrei
essa foto no baú fiquei impressionado com o meu patrimônio da época. Meu
meio de locomoção era um tico-tico
(velocípede).
Possuía ainda um
carrinho de mão e uma cadeira. O meu hobby principal era olhar as
figuras do jornal diariamente.
Pouco mudou até hoje, gosto de ler e o patrimônio continua quase o
mesmo.
Um pouco de
informações da época.
|
 |
O traje social dos meninos para época:
Calça curta, camisa de Jersey xadrez,
suspensórios e o sapato de verniz preto e meias três quartos.
E o penteado curitibano padrão até os dias de hoje
A foto eu com 4 anos, no quintal da casa da bisavó Ida na Rua
Desembargador Westphalen |
|

O tradicional penteado curitibano para homens e mulheres de hoje
já era moda naquela época, ondinha ou pastinha modelada com
brilhantina Glostora. |
O
CONCORRENTE GUMEX

O fixador de
cabelos Gumex era uma alternativa e ao mesmo tempo um
concorrente da brilhantina Glostora. |
|
| |
|
|
|
|
|
Nos idos de 1956
mudamos para a cidade de Itajaí em Santa Catarina para morarmos
com o meu avô paterno chamado João, excelente pessoa, meu
amigão. Logo depois mudamos para a cidade de Navegantes situada
do outro lado do Rio Itajaí-Açu. Para ir a aula fazia a
travessia em balsa.
|
|
| |
Fotos de
Época
Itajaí - Santa Catarina
1956 |
|
|
|
Porto de Itajaí em 1956 |
Centro da
Cidade de Itajaí |
Igreja Matriz
de Itajaí |
|
|
 |
 |
 |
|
|
|
|
 |
 |
 |
|
|
Porto Atual |
Praia de
Cabeçudas |
Cidade de
Navegantes
Travessia em Balsa para Itajaí |
| |
|
|
|
| |
|
|
|
Nessa oportunidade
comecei a estudar no Colégio São José naquela cidade, em fevereiro de
1957 e em maio do mesmo do mesmo ano voltava para Curitiba.
Minha vida sempre foi uma maratona. Meus pais não tinham um plano de
vida pelos intensos conflitos da vida conjugal e como diz o filósofo
Sêneca: "Não há vento favorável para um barco sem rumo."
|
Colégio São
José |
|
Pátio Interno
do Colégio |
|
 |
|
 |
Em 1957, voltamos morar
em Curitiba... na casa da minha avó materna, Maria da Conceição,
como foi quem praticamente me criou eu a chamava de Mãe Oti desde que
aprendi a falar, traduzido queria dizer a outra mãe. Ela foi uma das
pessoas que mais amei e sinto saudades dela, faleceu com 94 anos.
Naquele ano estava
sendo lançado no mercado dois novos produtos, o fogão a gás e as
eletrolas.
Vá ser antigo lá longe.
|
Fogão a Gás de
Três Bocas |
Eletrola
ou Radiola |
|

|
 |
| |
|
Vinil de 78 Rotações |
Long Play 33 Rotações |
Compacto 45 Rotações |
|
 |
 |
 |
O ano de 1958 é um
ano muito interessante como aprendizado de vida.
Retomei os meus
estudos primários no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias cursando a
segunda e terceira série do primário.
Sempre gostei de
estudar assim pude superar as dificuldades da troca de escolas e
currículos de ensino a cada mudança. Padecer sim, esmorecer e desistir
frente as dificuldades nunca.
No mês de junho
aconteceu a Copa do Mundo de Futebol na Suécia.
Na final
nem o
gol sueco que inaugurou o placar abalou a equipe. Didi, o príncipe
etíope, certamente uma das peças mais importantes do time brasileiro,
pegou a bola e foi calmamente andando com ela debaixo dos braços,
lembrando à todos de que o
Botafogo
tinha dado uma goleada na Suécia e não ia ser a seleção brasileira que
ia perder deles. Resultado: uma partida excepcional que mesmo com a
derrota por 5 a 2 em casa, a torcida sueca aplaudiu de pé os campeões do
mundo. Pelé, Vavá, Zito, Mazzolla, Garrincha, Didi, Gilmar, Zagallo
entre outros.
|
Pelé e Garrincha |
|
Volta Olímpica |
|
Foto Oficial |
|
 |
A maioria
dessa geração tornou-se torcedores do Santos e do Botafogo em
função desses jogadores. |
 |
Gilmar, Zagallo, Garrincha e Nilton Santos dão a volta olímpica
com a bandeira da Suécia depois do jogo final em 1958
|
 |
Assim o Brasil
sagrava-se pela primeira vez campeão mundial de futebol no dia 29 de
junho de
1958
em Estocolmo na Suécia.
A transmissão pelo
rádio é algo que ficou marcada na minha memória pois o chiado das ondas
estáticas era perturbador para o ouvinte. Na realidade não entendia bem
o que estava acontecendo, pois a pacata Curitiba virou um Carnaval de
Inverno.
Outro fato marcante foi o nascimento da minha irmã Roselaine em outubro
daquele ano e a nossa nova mudança para uma casa no bairro Itupava nas
proximidades alto da cai
BRINCADEIRAS E ENTRETENIMENTO NA ÉPOCA
As brincadeiras daquele tempo era construir e empinar
pipa, para os paranaenses "soltar raia" , jogar pião, fazer e soltar
balões (não era proibido) e obviamente jogar bola e bolinha de
burico.... para os mais abastados andar de bicicleta nova. Ganhei uma
usada que meu pai comprou com grande sacrifício, aro 26 e sem rodinhas
auxiliares, um desafio pilotar aquela máquina.
Muito bom também era brincar de guerra na Chácara do Cesquim. Não
podemos esquecer a eterna, mocinho e bandido inspirado nos filmes
seriados do Cine Morguenau, protagonizados por John Waine, Alan Ladd,
Butch Cassidy, Flash Gordon e os seriados do Comando Cody e também
filmes do Tarzan, Jane e a macaca Chita.
Os filmes brasileiros eram produzidos pela Atlântica e suas estrelas
eram Ankito, Oscarito, Grande Otelo, Derci Gonçalves, Emilinha Borba e
Dircinha Batista, Marlene, Zé Trindade, Golias e outros tantos.
Programas de rádio na emissora Nacional do Rio de Janeiro, um programa
marcante: O Edifício Balança mais Não Cai.
|

Bolinhas de Gude,
|

Bolinha no Burico. |

Jogo de Pião |

Futebol |

Mocinho e Bandido |
|
Para nós do sul
Bolinhas de Burico.
O jogo da figura é chamado de roda, perder quem sair do círculo
onde estão as bolinhas.
|
Burico é o buraco
feito no chão de terra, normalmente fazíamos o buraco com pé
descalço, |
O
pião não pode sair da roda desenhada no chão e perde aquele que
parar de rodar antes. |
Sem explicação |
Gibi
foi o título de uma revista brasileira de história em
quadrinhos, cujo lançamento ocorreu em 1939. Graças a ela, no
Brasil o termo gibi tornou-se nome oficial de revistas em
quadrinhos. |
|
Empinar Pipa |
Biblioquê |
Pião |
Ler e Tocar
Gibi |
 |
 |
 |
 |
CAPÍTULO TERCEIRO
VIDA PROFISSIONAL |
Comecei a trabalhar
muito cedo em julho de 1960.
Aos onze anos saí a
luta na busca de um emprego, pois mais uma vez meus pais estavam
separados...
Como não sabia fazer
nada percorri vários pontos comerciais, farmácias, bares, restaurantes,
oficinas mecânicas, sapatarias, perguntando se precisavam de um menino
para trabalhar, fazer qualquer coisa...mas o meu currículo não ajudava e
não tinha ninguém para ser o meu padrinho naquela questão. Assim andei o
dia inteiro.
Voltando para casa
um pouco abatido e bastante cansado dei a última cartada numa pequena
banca de revistas na esquina da Rua Barão do Rio Branco e André de
Barros e fiz ao proprietário a velha pergunta: "O senhor precisa de um
menino para trabalhar?" . A resposta dessa vez foi muito boa, respondeu
ele, preciso. Você sabe fazer contas? Rapidamente fez com que eu
calculasse vários preços e trocos. Nunca fui bom em números, mas acertei
tudo.
O proprietário,
"seu" Joãozinho, pernambucano, tentando a vida no sul, contou-me que
seria operado no dia seguinte e precisava de alguém urgentemente para
substituí-lo. Ensinou-me onde apanhava os jornais, revistas e outras
rotinas administrativas daquela banca de revistas.
Lá estava eu no meu
primeiro emprego: BANQUEIRO aos onze anos, sem dúvida um bom começo.
Cuidei muito bem
daquela banca de revistas e diariamente guardava o dinheiro arrecadado
numa caixa de sapatos em casa. O interessante que aquele homem
proprietário da revistaria ficou ausente por quase um mês dada a
complexidade da sua cirurgia. Eu não sabia onde ele morava e nem o seu
sobrenome. Quando ele regressou prestei contas sem faltar um centavo e
com excelente lucro nos negócios.
Fui
bem recompensado e recebi o meu primeiro salário, na verdade uma
gratificação de R$ 100,00 na moeda de hoje. Entendi que trabalhar era
algo muito bom e gratificante, ser honesto melhor ainda.
Após
esse serviço trabalhei numa distribuidora de tintas, Super União Tintas,
de propriedade do senhor José Tomaz, um pintor de paredes que deu certo
como empresário, cearense e amigo do meu pai. Na empresa exerci a função
de auxiliar de serviços gerais, basicamente arrumar estoque, fazer
entregas, limpar o depósito.
O maior problema
levantar e guardar latas de 20 quilos e o guarda-pó que era grande
demais para o meu tamanho ou eu era pequeno demais para aquele número.
O contador da empresa,
Seu Buchi, muito sagaz logo observou que eu poderia trabalhar no
escritório, pois a minha caligrafia fazia inveja para muitas pessoas,
organizado nas tarefas diárias, alegre e obediente às ordens superiores.
Vale ressaltar a letra
bonita foi fruto de uma tunda (surra) que meu pai me deu.
| |
Fazia a lição de
casa muito rápido para sobrar mais tempo para jogar bolinha de
gude e outras brincadeiras. Até que um dia fui pego em flagrante
fazendo uma lição com muita pressa e mal feita com inúmeros
borrões o meu pai viu. Simplesmente destruiu um caderno na minha
cabeça e tive que refazer tudo bem direitinho.
Ao entregar a lição
para a minha professora, Irmã Dirce, ela disse que desejava falar com o
meu pai. Meu pai foi até o colégio e ela perguntou se foi ele quem fez
lição por mim, pois a letra estava muito bonita e a lição extremamente
organizada.
Gentilmente papai
contou a sua
psicochineloterapia para resolver casos de relaxos
com a tarefa escolar de casa e outros desajustes.
Obrigado pai por mais
essa lição de vida.
|
Voltando a vida
profissional, permaneci trabalhando no escritório da empresa por mais de
um ano.
Em 1961, com 12 anos de
idade meu pai conseguiu um emprego para eu trabalhar na Clínica do Dr.
Hamilton Azevedo (tradicional médico de Curitiba) como office-boy,
ascensorista, faxineiro e outras coisas, mas o importante é que eu era
funcionário registrado e ganhava meio-salário mínimo. Na época a lei
permitia pagar para os menores trabalhadores esse valor. Sou do tempo em
que trabalhar não era crime.
Historicamente em
fevereiro de 1962 estava ocorrendo o bloqueio de Cuba pelo Estados
Unidos, acompanhei tudo sem entender muito lendo as notícias no Jornal
Última Hora, periódico de grande circulação nacional.
Trabalhar com Dr.
Hamilton Azevedo e sua esposa Iza Azevedo, diretora administrativa
da clínica foi sem dúvida uma escola de vida.
As quintas-feiras era
um suplício inesquecível, dia de ir a feira livre, na Rua D. Pedro II,
ainda é acontece ali. Fazer compras de verduras e legumes carregando
duas enormes e pesadas sacolas percorrendo toda a extensão da feira
semanalmente.
Durante o
expediente da função de ascensorista, no sobe e desce do elevador lia as
edições das revistas
Seleções do Reader´s Digest.
Para um leitor da minha idade os assuntos contidos na
revista sem dúvida eram de nível elevado trazendo informações avançadas.
O resultado não poderia ser diferente trouxe um grande amadurecimento
para o conhecimento de adolescente fazendo a diferença entre os meus
colegas de escola nas rodas de bate-papos.
A leitura facultou-me
desenvolver o dom da oratória e conseqüentemente a maneira de
expressar-me pela escrita nos trabalhos escolares de redação.
CAPÍTULO QUARTO
VIDA ACADÊMICA |
No ano de 1962
ingressei no Ginásio do CFA - Centro de Formação da Polícia Militar do
Paraná.
Na época o ginásio correspondia a quinta série do ensino fundamental da
atual legislação.
Para ingressar era
necessário ser aprovado no Exame de Admissão ao Ginásio
Antigamente, o curso
primário tinha 5 anos. Depois, passávamos para o ginásio - se aprovados
e bem classificados. Todos tínhamos que fazer um exame de conhecimentos
gerais - matemática, português, história, geografia e ciências -, que se
chamava exame de admissão ao ginásio.
A idade dos
concursantes variava entre 10 e 12 anos. Era um exame bastante temido,
que provocava um nervosismo geral - tanto nos pais como nos alunos. No
caso de não alcançar a aprovação e a classificação, voltávamos para o
colégio primário e cursávamos um ano mais - a sexta série. Era o
vestibular das crianças.
Esta sexta série era
muito mal vista entre professores e estudantes. Era pior que estudar
numa série B. Para não sofrer o risco de ter que voltar para a escola
primária e cursar esta sexta série tão preconceituada, fazíamos exames
em vários colégios - alguns privados, que facilitavam a aprovação dos
alunos, em troca de gordas mensalidades.
Em nossa casa, a
realidade financeira não nos permitia fazer este exame em escolas
particulares. Portanto, só nos inscrevíamos em escolas públicas.
Neste ponto, quero
registrar que alguns poucos alunos - sempre os mais inteligentes e
preparados - não completavam os 5 anos de primário, como a esmagadora
maioria. Estes alunos, quando terminavam a 4ª série, inscreviam-se para
o fazer o exame de admissão ao ginásio.
Eram os que "pulavam o
5º ano". Passavam diretamente da 4ª série do primário, para o ginásio.
Só os que realmente estavam muito preparados obtinham aprovação e
classificação no ginásio, porque, teoricamente, o 5º ano era o ano de
revisar tudo o que se tinha aprendido no primário. Era o ano de
preparação para o exame de admissão.
Naquela época, com a
idade que tínhamos e no contexto em que vivíamos, "pular o 5º" era o
máximo, era um gênio.
Depois de passar havia
uma outra dificuldade era a compra do uniforme, por ser um colégio
militar era necessário um uniforme especial composto por vária peças,
quepe (boné), túnica para uso diário e outra para desfiles, calça,
sapato, japona (jaqueta), uniforme para educação física.
Não deixei por menos
empenhei todo o meu salário de alguns meses e mandei fazer na melhor
alfaiataria da cidade, a Jockey.
Estava pronto para
iniciar a minha carreira policial militar com 12 anos de idade!
Creio que aqui começa a
minha verdadeira história de vida.
Por ser o curso noturno
me permitia continuar trabalhando na Clínica do Dr. Hamilton e lá fiquei
por mais dois anos.
Em 1965 pedi ao meus
pais para parar de trabalhar por seis meses, pois andava cansado,
levantava as 6:00h e dormia depois da meia-noite e as idas e vindas para
o trabalho e a escola eram feitas a pé, ao longo do dia caminhava cerca
de seis quilômetros.
Prometi que naquele ano
que ficasse sem trabalhar passaria por média no terceiro bimestre,
cumpri e passei com média 9,6.
Em 1966, concluí o
ginásio com uma média elevada que permitia ingressar na Escola de
Formação de Oficiais da Polícia Militar do Paraná sem prestar
vestibular, as chamadas vagas preferenciais para os melhores alunos.
Lá estava eu !
Em 1967 já era cadete
da Escola de Oficiais funcionava no mesmo endereço do ginásio porém o
dia todo. Com expediente integral ficava impossibilitado de trabalhar,
porém recebia um salário, um soldo de um salário mínimo no valor
de NCr$ 105,00 (cento e cinco novos cruzeiros).
Aqui esta uma tabelinha
do valor do salário mínimo na década de 1969-1970:
18/10/60 Cr$
9.600,00
16/10/61 Cr$ 13.440,00
01/01/63 Cr$ 21.000,00
24/02/64 Cr$ 42.000,00
01/02/65 Cr$ 66.000,00
01/03/66 Cr$ 84.000,00
01/03/67 NCr$ 105,00
26/03/68 NCr$ 129,60
01/05/69 NCr$ 156,00
01/05/70 NCr$ 187.20
Na realidade no valor
de hoje seria equivalente em média a R$ 400,00 (quatrocentos reais),
porém os preços eram mais baixos, principalmente a alimentação).
a
Na época as
revistas O Cruzeiro, Realidade e o jornal
que atacava o regime da ditadura O Pasquim. A censura era ativa
proibindo
quaisquer notícias contra o governo militar.
CAPÍTULO QUINTO
VIDA FAMILIAR |
“A
Família não nasce pronta; constrói-se aos poucos, e
é o melhor laboratório do amor. Em casa, entre pais
e filhos, pode-se aprender a amar, pode-se
experimentar com profundidade a grande aventura de
amar sem medo.
A
família é o ambiente mais apropriado para uma
maravilhosa experiência de amor”.
(Mazenildo
Feliciano Per)
O grande objetivo da minha vida era constituir uma família para ser
pai., um bom pai!
Guiando com amor, sabedoria e energia.
Lutei numa batalha insana até atingir o meu
ideal.
Fatos que não são necessários narrar para não
trazer à tona aquilo que foi lançado no Mar do Esquecimento. Como
diz a Bíblia Sagrada:
"Tornará a apiedar-se de nós; pisará aos pés as
nossas iniqüidades. Tu lançarás todos os nossos
pecados nas profundezas do mar." (Miquéias 7:19
A família é âncora da sociedade. Os desajustes
sociais dos nossos dias são frutos do desequilíbrio dos
relacionamentos familiares. As estatísticas não mentem e os índices
mostram com clareza o perfil dos desajustados sociais: jovens com
conflitos de relacionamento no âmbito da família.
A falta de amor fraterno contribui para
a dissolução de tantos lares. Tudo passa pelo desrespeito entre os
membros da casa , falta de diálogo, estados de depressão e
desmotivação.Perderam-se os valores da família.
A
palavra divina chamada AMOR não esta no dicionário dos modernistas
de plantão. Hoje vale o ter e não o ser, impera o sentido
materialista. A geração moderna negligencia o relacionamento com
Deus passando a ser uma comunidade materialista por excelência.
Vivemos num ambiente social sem escrúpulos onde as amizades sinceras
e desinteressadas estão a cada dia mais raras. A ternura e o afeto
deram lugar ao instinto carnal profano e aos sentimentos humanos
instigando a todos a conviver com relacionamentos com ódio e
violência vetores concretos da banalização da vida onde a
morte faz parte típica do cenário da vida.
A
família através da educação e o exemplo dos pais é a usina de
produção dos elevados padrões de ética, de moral e de
religiosidade é fundamental para sua formação moral, pois uma
criança que cresce num ambiente familiar onde se respira o amor,
aprende a amar com toda a naturalidade do mundo.
Todos os esforços devem estar direcionados para a organização
familiar e teremos uma sociedade apta desenvolver políticas públicas
capazes de conter todo o tipo de patologias sociais da nossa era
moderna.
A
família também deve possuir conhecimento das suas raízes históricas
de onde viemos e quem são os nossos antepassados.
Devemos honrar aqueles que nos ajudaram chegar até aqui.
CAPÍTULO SEXTO
VIDA SOCIAL |
CAPÍTULO SÉTIMO
VIDA CRISTÃ |
|